Em 2026, o Acampamento Mirim do Santuário Nossa Senhora do Carmo completa 25 anos de história, marcados pela evangelização de crianças que se preparam para receber a Primeira Eucaristia. Ao longo dessas duas décadas e meia, a iniciativa se consolidou como uma oportunidade de encontro pessoal com Deus, fortalecimento da fé e construção de vínculos com a comunidade católica.
O acampamento tem duração de três dias e mobiliza centenas de pessoas em torno de uma missão comum: ajudar as crianças a conhecer e vivenciar o amor de Deus.
“O principal objetivo do Acampamento Mirim é proporcionar às crianças que estão se preparando para a Primeira Eucaristia uma experiência de encontro pessoal com Deus, permitindo que elas conheçam e vivenciem o Seu amor de uma maneira especial”, explica a coordenadora Cláudia Moreno, de 45 anos.

Acampamento serve como preparação para a Primeira Eucaristia (Acampamento Mirim / Cedida)
Uma história construída pela comunidade
A história do Acampamento Mirim começou a partir da experiência desenvolvida na Diocese de Petrópolis (RJ), dentro de uma proposta de Nova Evangelização. Para conhecer a metodologia e vivenciar a experiência, o padre Antônio Sérgio Girotti fez o pedido para que um grupo de representantes de Presidente Prudente — Márcia, Joaquim, Tatiane Bastos, Fabiana Góes, Luzia Góes, Nair Prado, Mariana Braga, Tiago Braga, Tadeu Agostinho, Fabiano, Tatiana, Carla e o padre Silvio, até então seminarista — fosse até a cidade.
De volta à comunidade, a iniciativa foi adaptada ao público infantil, com a contribuição de Astromar Miranda Braga, que participou da elaboração de dinâmicas, atividades, desafios e momentos de espiritualidade voltados especialmente às crianças em preparação para a Primeira Eucaristia
“Eu vejo esses anos de acampamento como uma das maiores graças e bênçãos de Deus concedidas à Igreja. Um projeto maravilhoso de inspiração do Espírito Santo, que fez do Santuário um verdadeiro Centro de Referência dos Acampamentos”, destaca Astromar.
A coordenadora atua ao lado do marido, Eduardo Moreno, e dos casais Ighor e Patrícia Spir e Rafael Barreto e Isabela Godoy. A equipe também conta atualmente com os diretores Hugo Wascheck, Pietra Delicoli, Beatriz Bordin, Isabella Bertão e Caio Langui.

Equipe atual da coordenação e direção (Acampamento Mirim / Cedida)
Na edição comemorativa deste ano, foram convidados antigos coordenadores e diretores, além de pessoas que participaram das primeiras edições. Entre os presentes estavam o idealizador Astromar Miranda Braga e sua esposa, Priscila Braga. Campistas, voluntários e convidados participaram de uma comemoração preparada especialmente para marcar a data.
“Foi um momento de muita alegria, reencontros e gratidão, em que pudemos celebrar não apenas os 25 anos do Mirim, mas também todas as pessoas que ajudaram a construir essa história ao longo dos anos”, conta Cláudia.

Alguns dos homenageados na festa dos 25 anos do acampamento (Acampamento Mirim / Cedida)
Fé, alegria e acolhimento para as crianças
O acampamento é destinado principalmente às crianças que estão no terceiro e último ano da catequese de preparação para a Primeira Eucaristia, geralmente entre 10 e 12 anos, com algumas exceções até os 13 anos. A programação combina brincadeiras, dinâmicas e atividades recreativas com a transmissão dos valores cristãos e dos ensinamentos da Igreja Católica.
Segundo a coordenação do acampamento, a proposta é tornar a experiência de fé acessível ao universo infantil, respeitando as características dessa fase da vida. “O Mirim é um acampamento muito acolhedor, alegre e pensado especialmente para o universo infantil”, afirma Cláudia.

Idade dos campistas fica entre 10 a 12 anos (Acampamento Mirim / Cedida)
Além de contribuir para a preparação sacramental, a iniciativa pode representar o início de uma trajetória de participação em outras experiências oferecidas pelo Santuário, como CES, FAC, JOAM, Juvenil, Sênior e Acampamento de Oração.
“Acima de tudo, queremos que elas vivam uma experiência feliz e marcante, que fortaleça sua fé, desperte o desejo de continuar participando da comunidade e deixe boas lembranças dessa etapa tão importante de suas vidas”, ressalta a coordenadora.
Uma essência que atravessa gerações
Desde a primeira edição, em 2001, o contexto em que as crianças crescem mudou significativamente. O acesso à internet era mais limitado, e smartphones e redes sociais ainda não ocupavam o espaço que têm atualmente. Essas transformações exigiram adaptações na maneira de acolher e se comunicar com os participantes, mas não alteraram a essência da proposta.
“Ao longo dos anos, o Mirim precisou acompanhar essas transformações, especialmente na maneira de acolher, compreender e se comunicar com as crianças. Mas acredito que o mais importante é que conseguimos preservar a essência do acampamento”, explica Cláudia.
A coordenadora observa que as atividades e a faixa etária permanecem praticamente as mesmas desde o início, com pequenas adaptações. Para ela, a convivência presencial continua sendo um dos grandes diferenciais da experiência.
“O Mirim continua valorizando aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: o contato humano, as amizades, as brincadeiras compartilhadas, o carinho e a experiência de estar junto”, destaca.

Dinâmicas e recreação aproxima crianças neste mundo conectado (Acampamento Mirim / Cedida)
Mesmo com as mudanças de comportamento e os novos recursos tecnológicos, a necessidade de acolhimento permanece. “O mundo mudou, as crianças mudaram, mas a necessidade de se sentir amado, acolhido e de fazer parte de algo continua a mesma”, afirma a coordenadora.
Mais de 700 voluntários a serviço da missão
A realização do Acampamento Mirim exige planejamento e dedicação de uma grande equipe. Em 2026, aproximadamente 300 voluntários trabalharam diretamente com os campistas dentro do Centro de Formação do Santuário, enquanto mais de 400 pessoas integraram a equipe externa, totalizando mais de 700 voluntários envolvidos.
A estrutura reúne equipes de coordenação, direção, direção espiritual, pregação, ministério de música, recreação, intercessão, secretaria, mídia, cozinha, manutenção e apoio. Os líderes acompanham as crianças nas atividades, os chamados “tios assessores” oferecem suporte aos líderes, e os “corujas” permanecem acordados durante a noite para contribuir com a segurança e atender às necessidades dos participantes.
A equipe de intercessão se dedica à oração durante o acampamento, enquanto a equipe de mídia registra momentos e compartilha parte da experiência nas redes sociais. Já os voluntários externos colaboram com a organização e com a comunicação entre as famílias e a equipe que acompanha as crianças.
“É uma estrutura muito grande, que exige organização, dedicação e, principalmente, o comprometimento de centenas de pessoas que oferecem seu tempo voluntariamente”, enfatiza Cláudia.

Centenas de voluntários trabalham para tudo ocorrer bem (Acampamento Mirim / Cedida)
Um legado para as próximas gerações
Entre os frutos espirituais do Acampamento Mirim estão o fortalecimento da fé, a construção de amizades, a descoberta do amor de Deus e o desejo de continuar participando da vida da Igreja. Ao longo dos anos, algumas crianças que viveram essa experiência retornaram ao acampamento já como líderes e voluntários, ajudando a acolher novas gerações.
“É muito bonito perceber que algumas dessas crianças, com o passar dos anos, retornam como líderes e voluntários, agora ajudando a proporcionar a outras crianças aquilo que um dia também vivenciaram”, ressalta Cláudia.
Para o futuro, o desejo da coordenação é que a iniciativa continue sendo um espaço de acolhimento, alegria, amizade e encontro com Deus. “Mais do que fazer o acampamento crescer, nosso desejo é que ele continue fazendo a diferença na vida das crianças”, afirma.
Ao celebrar 25 anos, o Acampamento Mirim reafirma seu compromisso com a evangelização e com a formação cristã das novas gerações. Uma história construída por coordenadores, diretores, voluntários, famílias e crianças, que segue renovando, a cada edição, a missão de anunciar o amor de Deus.
“Porque, no final, o maior legado do Mirim não está naquilo que construímos, mas naquilo que ajudamos a despertar no coração de cada criança”, conclui a coordenadora.